Em Londres, Amy Winehouse partiu dessa para melhor. E em São Paulo, Edson Café foi dos programas de domingo à margem das ruas. Por mais distantes que pareçam – e realmente são - tanto musicalmente quanto geograficamente, a história destes dois artistas retratam uma só verdade: a fama cobra um preço muito caro daqueles que dela se aproveitam.

Amy WinehouseDepois da avalanche de notícias, fotos e “homenagens” post-mortem, não é mais necessário introduzir Amy Winehouse. A cantora britânica de 27 anos tinha no vício do álcool e drogas seu maior amigo (ou inimigo) e, como não poderia ser diferente, sua vida foi drasticamente abreviada.

Mas o mais incrível é que, aquilo que a levou a afundar-se ainda mais, a exposição non-stop na mídia mundial, tomou proporções homéricas após (quem diria) sua morte. Fãs se aglomeram na porta da sua casa em Londres, a mídia internacional repercute o fato a cada segundo em todos os meios de comunicação, artistas por todo mundo “homenageiam” a querida artista…

Seu álbum nunca foi tão vendido e o refrão de Rehab é cantado até por quem nem sabe do que a música se trata. Já vimos este filme na morte da Princesa Diana e, mais recentemente, quando o “Rei do Pop” Michael Jackson morreu. Mas a fome dos fãs por notícias e imagens, maior até que o carinho que sentiam pelo ídolo, impressiona cada vez mais. E impulsiona a mídia, na mesma proporção.

Edson CaféEm São Paulo, um artista sofre pelo mal inverso, o ostracismo: Edson Bernardo de Lima, o Edson Café, ex-integrante da (na opinião do BdE e de milhões de fãs ao redor do país) melhor banda de pagode romântico do Brasil, o Grupo Raça Negra.

Tema de outro post em nosso blog, o Raça Negra vendeu milhões de discos na década de 90. Liderado pelo vocalista Luiz Carlos, o grupo de pagode chegou até o Guinness Book, com a música mais tocada em apenas um dia em todo o mundo.

Porém, com o tempo, a banda foi perdendo o brilho e o sucesso se perdeu, junto com a
cobertura da mídia e o carinho dos fãs. Seus integrantes se separaram. Até aí, uma história repetida inúmeras vezes no mundo artístico. Até a semana passada.

No Conexão Repórter do SBT, Roberto Cabrini descreveu a vida dos moradores de rua de São Paulo (assim como A Liga de Rafinha Bastos, diga-se de passagem) e encontrou Edson Café mendicando. Doente e andando com a ajuda de uma bengala, Café não tem mais o apoio dos fãs, antes apaixonados e agora totalmente alheios ao seu sofrimento. Um final triste para alguém que já teve uma carreira tão bem sucedida.

A fama é efêmera e implacável com aqueles que colhem seus frutos. Seja pela exposição extrema, seja pelo ostracismo total. A questão que fica (ou deveria ficar) em nossas mentes é: qual o nosso papel no meio desse circo de horrores?