Cadê o garçom?

O Melhor Funk

In Couvert Artístico on 27/08/08 at 01:00 UTC

http://blogdeesquina.files.wordpress.com/2008/08/imagemccc.jpg?w=127&h=157

Cláudio Rodrigues de Mattos, o Claudinho, e Claucirlei Jovêncio de Souza, o Buchecha, formaram uma dupla de cantores de rap e funk-melody que até hoje é lembrada e suas musicas cantadas. A história da dupla é uma prova de que humildes trabalhadores podem conquistar fama e fortuna fazendo o som que o povo quer ouvir.

Claudinho era pedreiro e vendia doces no semáforo, Buchecha era office-boy. Criados na periferia do Rio, eram amigos de infância e freqüentavam rodas de pagode, funk e charme nos arredores do morro do Salgueiro. Buchecha até fez parte de um grupo de pagode chamado Raio de Sol.

Foi então que em 1993, num festival de baile funk, que escolhia os melhores Mestres de Cerimônias (MCs), que os dois acabaram formando uma parceria. Depois, participaram de mais um concurso e ganharam um prêmio com o “Rap do Salgueiro”, um apelo à paz nos bailes funk.

Com o sucesso da música, assinaram contrato com a Universal, gravando o primeiro CD e emplacando logo de cara nas rádios com “Conquista”, “Nosso Sonho” e o então “Rap do Salgueiro”. Era o estouro do funk melody nas classes cariocas mais privilegiadas, e por todo o Brasil.

Em 1997 com a música “Quero Te Encontrar” e “Uma noite e meia” incluída no disco “A Forma” (que vendeu mais de um milhão e meio de cópias), voltaram a repetir o sucesso. Claudinho e Buchecha criaram um estilo de música e coreografia imitado por diversas duplas. O repertório era basicamente romântico, longe da crítica social mais característica do rap e do funk brasileiros.

Em seguida veio o Terceiro álbum “Só Love” em 1998, que dava nome a também musica de trabalho e sucesso da dupla, Só Love, Xereta e Nosso Romance estouraram mais uma vez, levando a dupla a fazer diversos shows pelo Brasil.

Com tamanho sucesso veio à necessidade da gravação de um CD AO VIVO, gravado em 1999, com os sucessos da dupla contando também com musicas da grande Ivete Sangalo e uma do inesquecível Trem da Alegria. Os shows da dupla eram um espetáculo a parte, muito alegres, sempre levavam alegria e paz para todos.

Em 2000 veio o quinto álbum da dupla, “Destino”, com o sucesso Berreco que a exemplo dos outros veio e emplacou.

Foi então que em 2002 a dupla lançou o seu então pra tristeza de muitos o ultimo álbum da dupla, “Vamos dançar”, mais uma vez recheado de sucessos, são eles, “Bonde da Zoeira”, ”Zó, Zó, Zó” e “Fico assim sem você”. O ultimo CD da dupla, pois em julho de 2002, Claudinho retornava de um show que a dupla fez na cidade de Lorena (SP) na noite de sexta-feira. O empresário dos dois, Ivan Manzielli, dirigia o Golf placa ###-4665 pela Via Dutra em direção ao Rio. Pouco depois das 6h, na descida da Serra das Araras (na altura de Seropédica), o carro perdeu o controle, bateu em uma árvore e foi parar em uma ribanceira. O Golf vinha em alta velocidade (segundo foi apurado pela Polícia Rodoviária Federal) e chovia muito na hora do acidente.

Claudinho morreu na hora; Ivan foi conduzido em estado grave para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu (RJ). Antes de ser internado, Ivan ainda afirmou que o Golf teria sido cortado por um caminhão branco antes do acidente.

Buchecha, o parceiro de Claudinho, também seguia para o Rio em uma van, com o resto da equipe de palco da dupla. Buchecha, foi posto sob efeito de sedativos após receber a notícia da morte do amigo. O grupo se separou após uma parada na estrada para um lanche, durante a madrugada, quando Claudinho e Ivan Manzielli seguiram adiante enquanto o resto da equipe ficou na lanchonete. Uma das tristezas do álbum foi que neste último, a musica de sucesso que a dupla estava trabalhando, era exatamente “Fico assim sem você”, que em determinada parte da musica cita:

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu, assim, sem você

Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu, assim, sem você…

Foi uma dor para todos a tragédia, principalmente para Buchecha, que com o sofrimento, perdeu aquilo que levou os dois ao auge do sucesso, a alegria de cantar e levar a paz. Até recentemente, o cantor mantinha um hábito comum à época em que o amigo estava presente. “Ligava para ele porque não apaguei o número no celular. Esquecia.” Os últimos momentos juntos também não saem de sua memória. A pior fase do sofrimento foi quando entrou no estúdio para gravar o disco, em novembro passado. “A voz sumia. Não agüentei”, admite. Mas foi até o fim. “Parecia que ele havia ligado no automático. Sofria sozinho”, diz o produtor do CD, Marcello Mansur, o Memê.

Foi um processo doloroso para o cantor. “Pensei em desistir de tudo”. A força para dar a volta por cima veio da solidariedade de amigos como o sertanejo Leonardo, que perdeu o irmão Leandro, de câncer. “Ele me disse: ‘Conheço essa dor, sei o que você está sentido, mas não pára’, (lembra Buchecha em entrevista a ISTOÉ)

MC Buchecha

MC Buchecha

Foi então que depois de algum tempo, após reunir-se com a diretoria de sua gravadora (a Universal), Buchecha anunciou que iria seguir carreira solo, e já emplacou mais um CD, em 2003 lançou MC Buchecha, e assim seguiu aos poucos resgatando a alegria que era marca registrada da banda.

Em 2006 veio mais um CD “Buchecha – Acustico”, e a gravação e participação no CD e DVD Ao Vivo de Ivete Sangalo no Maracanã.

Hoje, ele mora numa casa de quatro quartos na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, comprou uma para a mãe, outra para o pai e guarda dinheiro para o futuro dos filhos. Segundo ele que queria ter 12 filhos para formar um time de futebol, brinca que desistiu assim que teve o primeiro.